P e R (Perguntas e Respostas) - Filhos Conectados 03.10.2019

Olá Pais e Mães conectados,



Quem me conhece sabe que gosto de olhar e falar da Internet como uma ferramenta muito positiva, pois de fato ela é. Traz inúmeras oportunidades para nós.



Mas não podemos deixar de falar também de assuntos tabus que ocorrem com ou sem a Internet, como o suicídio.



Com um nó na garganta resolvi enfrentar meus receios e medos de falar desse tema e escrever sobre isso para vocês, pois nesta semana uma conhecida minha me mandou uma mensagem dizendo: "Kelli pq vc não fala de suicidio no Filhos Conectados? Só neste ano já foram 3 adolescentes que se suicidaram, um da escola que eu trabalho e outros 2 de escolas próximas. O menino que eu conhecia sofria bullying na internet."



Infelizmente pais e mães, essa é a realidade! Acontece muito mais do que imaginamos. Pesquisas divulgadas recentemente mostram que o número de suicidio entre adolescentes no Brasil aumentou 24%. Chocante!!!!!!!! (Fonte: https://www.unifesp.br/noticias-anteriores/item/3803-estudos-detalham-perfil-de-casos-de-suicidio-na-adolescencia-no-brasil ).



Espanta-me ainda mais saber que os números de suicidio no Brasil aumentam a cada ano entre jovens de 10 a 19 anos.



Isso é chocante mas não é novidade, pois a mídia tem divulgado esses índices alarmantes frequentemente.



Mas de nada adianta ficarmos chocados com esses números e nada fazermos. Temos, nós pais e mães, que refletirmos sobre os motivos desse aumento e arregaçarmos as mangas para fazermos algo.



Não sou da área médica e, por isso, não me sinto apta a falar das razões que levam um adolescente a cometer suícidio no aspecto psíquico ou psicológico, mas diante do que acompanho sobre adolescentes no uso da Internet, posso destacar para vocês que o uso excessivo da Internet, gerando o isolamento ou sofrimento causado por ofensas, insultos ou humilhações online também podem gerar depressão, automutilação e até suicidio entre adolescentes.



Hoje em dia vejo muitos pais e mães preocupados em dar todo o suporte financeiro aos filhos, presenteando-os com o celular mais moderno, porém, precisamos abrir nossos olhos para as reais necessidades dos nossos filhos, que são: saúde mental, bem-estar físico e psicológico, diálogo, escuta, convivência harmônica, empatia, respeito, entre outros.



Ou seja, precisamos ver que nossos filhos necessitam de apoio afetivo, de serem ouvidos, de terem espaço para diálogo e de ter pais e mães firmes nos "nãos". Sim, para proteger nossos filhos muitas vezes teremos que falar "não" a eles. Querem um exemplo? Mês passado depois de uma palestra que dei, uma mãe me disse que não sabia mais o que fazer com o filho adolescente que passava as madrugadas acordado jogando no celular, dormia de dia por algumas horas e novamente voltava a jogar online.



Ora, ou essa família intervém nas vontades do filho em usar a Internet como bem quer e dão um basta nisso, ou o prejuízo depois chega como um tsunami.



Precisamos nos reconectar com nossos filhos, deixarmos o celular de lado nos momentos de interação familiar e olhar nos olhos, conversar (ouvir e falar), perceber as necessidades dos nossos filhos e mostrar as nossas. Porém, se nós pais e mães passarmos o tempo que temos com nossos filhos de olho nos grupos do whatsapp, as necessidades deles são ignoradas e, eles não vão saber nos cobrar dessa falta de afetividade e desleixo parental. Sem contar que estamos dando exemplo errado a eles se ficarmos online o tempo todo, depois como poderemos cobrá-los de usar a Internet com moderação?



É fundamental que não só nos conectemos com nossos filhos, dia a dia, mas que também mostremos a eles que eles podem ter um objetivo maior que os conduzam a seguir, que há uma trajetória de vida e um futuro para eles e que estaremos sempre ao lado deles, independente dos obstáculos que poderão surgir nessa trajetória.



Uma criança e adolescente que tenha suporte afetivo em casa, tem muito menos chance de pensar em desistir e de perder a esperança se foi vítima de insultos nas redes sociais, está sendo ameaçado por um estranho ou se teve um nudes vazado, por exemplo.



Porém, todas as crianças ou adolescentes em sofrimento clamam e pedem por ajuda. Algumas fazem isso verbalmente, outras por mudança de comportamento, e outras desabafam na Internet.



Por isso, nós pais e mães precisamos ter olhar atento sempre, não só observando eventuais mudanças de comportamento de nossos filhos, como também acompanhando o que eles fazem online, como se manifestam, o que postam, com quem falam, do que comentam. Tudo isso nos fará ter respostas diárias e acompanhamento efetivo, pois isso é amor, amparo e proteção.



Para terminar vou confessar que esse talvez tenha sido um dos mais difíceis textos que eu escrevi para o Filhos Conectados. Escrever sobre isso, pensando em tantos casos que já ouvi falar e nesses jovens e suas famílias, me causa um desconforto imenso, mas ficar quieta e fechar os olhos para a realidade não resolve, assim como não ajuda fingir que crianças e adolescentes podem usar a Internet sem limites e sem acompanhamento dos pais. Prestem atenção!



E por fim, juro que é o último parágrafo, recomendo que não saiam por ai falando com os filhos sobre suicidio. Especialistas e pesquisas comprovam que abordar o tema com adolescentes, pode plantar a ideia ou contagiar pessoas vulneráveis, portanto, o melhor a fazer é garantir o bom convívio em casa e a mediação dos filhos online.



Abraços e até o próximo PR - Perguntas e Respostas dos Filhos Conectados.

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